quero viver ao lado da pessoa que mais amo, quero morrer ao lado das pessoas que me acompanharam sempre. e quero sentir a tua pele na minha pela, os teus ossos nos meus, os teus labios nos meus, as tuas mãos nas minhas, o teu corpo, no meu...
Música deste capitulo:
Capitulo treze.
Ele levantou-se da cama, pegou na arteira e chaves de casa, e desceu as escadas, acabando por sair de casa em meros segundos. Ainda em sua casa, deitei-me na cama e chorei. Pensava e repensava se isto iria de certa forma quebrar a nossa grande amizade. Pensava e tentava arranjar uma solução para resolver isto tudo. Queria que ele me perdoasse.
Limpei as lágrimas, levantei-me e corri para o sitio que nós partilhávamos sempre que estávamos mal. Fui de autocarro para lá, demorei cerca de meia hora dentro daquela merda. Quando sai, sai numa praia, mas isso queria dizer que tinha de andar muito ainda. Olha para os meus pés: estava de saltos. Então decidi tirar os sapatos e andar.
Comecei a minha caminhada, a minha barriga implorava por comida. Olhava para aquela praia vazia, era uma paisagem bonita, pois a praia era coberta de grandes árvores. Bonito não descrevia a visão que isto nos dava. Era uma praia escondida, ninguém quase sabia da sua existência. Já no outro ponto da praia, encontrei-o, na nossa “gruta”.
Era uma falésia que dava para o mar, olhava-se para a esquerda e via-se as tonalidades todas do mar azul e também as grandes tonalidades da areia. Vi-o de longe, e corri para ele. Estava sentado a chorar, olhando para o mar.
- Eu sabia que te ia encontrar aqui.. – disse-lhe baixinho.
Ele não pronunciou nenhuma palavra. Apenas deixou de chorar e começou a fazer pequenos desenhos na areia.
- Oliver, fala comigo! Pára com estas parvoíces!
- Alaina, queres que me sinta como? Feliz por a pessoa que eu gosto me ter iludido, mas que afinal estava bêbeda? Alaina, eu já me decidi. – disse ele.
- Decidiste? – perguntei.
- Sim, vou-me afastar. Não posso continuar contigo, vai ser pior para mim. Daqui uns tempos falamos. Preciso de pensar e reorganizar-me a mim próprio.
- Mas..
Ele levantou-se e correu.
“Foi-se embora… para sempre?” comecei a chorar.
- OLIVER! – gritava eu, no desespero, por entre as lágrimasque teimavam cair dos meus olhos.
Fim das lembranças.
Depois de acordar, afogada em memórias. Olhei para o Gerard.
- Alaina? Estás-me a ouvir? – perguntava ele.
- Desculpa Gerard, venho já.
- hun? – perguntava-se ele.
Levantei-me e dirigi-me á mesa do Oliver.
- Oliver?
- Alaina?
- Oliver?! – disse a rapariga que estava com ele.
- Oliver, podemos falar? – perguntei.
- Mel, já volto.
- Mas .. !
Levantou-se e fomos até lá fora. Sentamo-nos num banco de rua. Estávamos ambos calados, a olhar para o vasto e extenso número de estrelas no céu.
- Bem.. o que estás aqui a fazer, Oliver? – perguntei.
- Centro de reabilitação.
- Desculpa?!
- Sim, depois de ter deixado Chicago, vim para aqui e.. como foi pouco tempo de nos termos “separado” – fez as aspas com a mão. – meti-me na cocaína e no álcool… - interrompi-o.
- ÉS ESTUPIDO? – levantei-me, gritando.
- .. por tua causa.
Sentei-me outra vez, ele fitava o chão.
- Por minha causa?
- Sim.. achei que te iria esquecer assim, mas nada feito. Quatro anos passaram-se e nada feito. A tua voz, as tuas palavras, as tuas brincadeiras, as nossas memorias, as nossas confidencias, os nossos dias perfeitos.. parecia que tudo estava sempre na minha cabeça. E á bocado, quando te vi, caiu-me uma lágrima e não conseguia falar nem com a minha namorada..
- Namorada?
- Sim.. mas eu não gosto dela, tu não me sais da cabeça.